Presidente cumpriu uma agenda a cada 2,8 dias em agosto, contra duas em 20 dias de junho
Após intensificar viagens pelo País, aprovação do governo Dilma já cresceu seis pontos percentuais, de acordo com pesquisa Datafolha
Roberto Stuckert Filho/PR Após as manifestações que se espalharam pelas ruas do País em junho, a presidente Dilma Rousseff intensificou a agenda de viagens oficiais pelo País em agosto para entregar obras públicas e se aproximar do povo brasileiro. Nesta terça-feira (3), Dilma está em viagem internacional e desembarca em São Petesburgo, na Rússia, para defender os interesses do Brasil na reunião do G-20 (grupo das 20 maiores economias do País).
Roberto Stuckert Filho/PR Após as manifestações que se espalharam pelas ruas do País em junho, a presidente Dilma Rousseff intensificou a agenda de viagens oficiais pelo País em agosto para entregar obras públicas e se aproximar do povo brasileiro. Nesta terça-feira (3), Dilma está em viagem internacional e desembarca em São Petesburgo, na Rússia, para defender os interesses do Brasil na reunião do G-20 (grupo das 20 maiores economias do País).
Nos primeiros 20 dias do mês passado, a presidente fez sete viagens pelo Brasil, média de uma viagem a cada 2,8 dias. O número é quase quatro vezes maior que o número de viagens feitas nos primeiros 20 dias de junho, quando a presidente teve dois compromissos oficiais fora de Brasília.
A frequência maior de viagens da presidente Dilma já se reflete nas pesquisas de intenção de voto. A primeira pesquisa Datafolha divulgada no fim de junho registrou uma queda no índice de aprovação do governo, que saiu de 57%, no início de junho, para 30%.
O último levantamento, divulgado nos primeiros dias de agosto, no entanto, já mostrou uma recuperação de seis pontos percentuais — o governo Dilma agora tem 36% de aprovação. O aumento da aprovação no Sul e Sudeste — regiões que foram destino de boa parte das viagens oficiais de Dilma e que são reconhecidamente redutos eleitorais dos possíveis adversários nas eleições de 2014 — puxou a melhora na avaliação da presidente.
Para o cientista político do Instituto de Estudos Socioeconômicos, José Antônio Moroni, a presidente quer ganhar não só a aprovação dessas áreas, mas também eleitores.
— É uma região, não só politicamente, mas numericamente em termo de eleitores, significativa. Então qualquer candidato que queira ganhar a eleição para presidente tem que ter uma boa inserção no Sul-Sudeste. Foi justamente onde ela perdeu pontos e onde está se recuperando. E há toda a questão de que essa região é do PSDB. Como o PSBD nas manifestações perdeu credibilidade, assim como todos os partidos, acho que esta é uma estratégia de ganhar essa base. As manifestações de junho acenderam o sinal amarelo para o governo, que estava acostumado aos altos índices de popularidade, segundo Moroni. Ele acredita que Dilma só tem a ganhar com a intensificação do diálogo entre a presidente e a população.
— O processo eleitoral do ano que vem, não restam dúvidas, não vai ser esse mar de rosas que estava sendo previsto. [...] Tem que fazer política com relação à sociedade, tem que se comunicar com a sociedade.
Nas cidades em que esteve, Dilma inaugurou obras de infraestrutura, entregou máquinas pesadas e anunciou repasse de recursos para cidades históricas. Além disso, procurou meios de comunicação para falar diretamente com a população, usando para isso as entrevistas para rádios regionais.
O professor de teoria política e coordenador do Laboratório de Política e Governo da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Milton Lahuerta, reforça a necessidade de Dilma se aproximar ainda mais da população. Ele compara os governos dela e de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2002 e 2010.
— Depois de uma experiência de uma presidência hiperativa, na qual o próprio presidente Lula era o responsável pela articulação política, passamos a viver sob uma situação [...] com uma presidente que se define como uma gerente.
Resposta tucana
O PSDB, principal oponente de Dilma, também resolveu abrir a agenda para o País. O presidente nacional do partido e principal nome da sigla para disputar o Planalto, senador Aécio Neves, começou a realizar viagens pelo interior de São Paulo, para, segundo o partido, iniciar “a construção de propostas a serem defendidas pelos tucanos nas eleições do ano que vem”.
Em setembro, o tucano participa do primeiro encontro regional, em Curitiba, que reunirá lideranças do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina e promete mais.
— Vamos fazer, a cada dez dias, uma incursão em regiões do Estado de São Paulo, que está sendo coordenada pelo diretório estadual do partido. Já definimos também os grandes encontros regionais do PSDB. Em Curitiba, faremos um grande evento com parlamentares federais, estaduais, vereadores, vice-prefeitos, prefeitos e militantes do partido, buscando a construção de uma agenda regional.
O senador adiantou que outros encontros regionais serão realizados em Maceió (AL), Manaus (AM) e Goiânia (GO).Fonte : R7
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