Problemas semelhantes atingem Estados como Ohio, Missouri, Geórgia, Califórnia e Texas – o campeão em execuções nos EUA.
A injeção letal é o método usado pelos 32 Estados americanos onde há pena de morte.
A maioria recorre a um coquetel composto por um anestésico (Pentobarbital ou Tiopental), um agente bloqueador muscular (Brometo de Pancurônio) e Cloreto de Potássio, que provoca parada cardíaca. Onze Estados utilizam apenas uma droga, em doses letais.
No entanto, a pressão de laboratórios e de grupos europeus contra o uso das drogas em execuções tem tornado cada vez mais difícil sua obtenção.
O fabricante do Tiopental suspendeu o fornecimento depois de pressões por parte de funcionários e autoridades na Itália, onde fica uma das fábricas. O mesmo ocorreu com o fabricante do Pentobarbital, na Dinamarca.
Alternativas
Com seus estoques chegando ao fim e sem a possibilidade de fornecimento, os Estados estão tendo de recorrer a alternativas.
Na semana passada, a Suprema Corte do Missouri anunciou que o Estado será o primeiro a usar o Propofol – anestésico que causou a morte do cantor Michael Jackson.
Ohio e Texas anunciaram que seus estoques de Pentobarbital expiram setembro e que estão em busca de soluções. Outros Estados, como a Geórgia, decidiram recorrer a farmácias de manipulação.
Essas alternativas, porém, são alvo de críticas, especialmente por nunca terem sido testadas em execuções.
"Não sabemos se vão funcionar, se vão causar efeitos colaterais, como convulsões", disse à BBC Brasil o diretor-executivo do Death Penalty Information Center (Centro de Informações sobre a Pena de Morte), Richard Dieter.
"É um experimento com humanos", afirma.
O diretor jurídico da organização pró-pena de morte Criminal Justice Legal Foundation, Kent Scheidegger, diz que há outras alternativas, como a importação de países asiáticos que adotam a pena de morte.
"Não há falta de drogas. O que há é uma conspiração por parte de empresas europeias", disse Scheidegger à BBC Brasil.
"A pena de morte é uma opção dos EUA. Não é da conta dos europeus", afirma.
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