quarta-feira, 3 de julho de 2013

Gasto com publicidade oficial na internet alcança R$ 95,6 milhões

O governo federal gastou R$ 95,6 milhões com propaganda na internet no ano passado, segundo dados divulgados pela ministra da Comunicação Social, Helena Chagas, para o site "Viomundo".
A ministra divulgou uma lista com os nomes dos 20 maiores beneficiados, que receberam R$ 66,2 milhões no período, 69% do gasto total.
É a primeira vez que o governo revela os gastos totais do Executivo, incluindo ministérios, autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações.
Mas as listas de sites que receberam anúncios do governo nos anos anteriores a 2012 permanecem sob sigilo. A Secretaria de Comunicação Social alega que não detém esses dados e, por isso, não tem condições de divulgá-los. Diz que a tabela sobre 2012 foi fruto de um esforço pontual.
A ministra Helena Chagas disse à Folha que "o principal critério norteador" para a distribuição dos recursos é a audiência. Mas uma comparação entre os valores pagos e a audiência medida pelo Ibope revela várias distorções.
O principal destino dos recursos do governo foi o portal Terra, com R$ 9,8 milhões em 2012, mais do que o portal UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita aFolha), que recebeu R$ 9,7 milhões, o MSN (R$ 9 milhões), o Facebook (R$ 3,3 milhões) e o Google (R$ 968 mil).
Mas a medição feita pelo Ibope aponta que o Terra teve 23 bilhões de páginas vistas em 2012, contra 55,3 bilhões do UOL, 475 bilhões do Facebook, 154 bilhões do Google e 69,5 bilhões do MSN.
O Google aparece em 12º lugar no ranking do destino dos recursos do governo. Logo abaixo vem o site "Carta Maior", que recebeu R$ 830 mil em 2012, mais que a versão eletrônica da Folha, que recebeu R$ 780 mil, e a Abril.com, que recebeu R$ 586 mil.
Segundo o Ibope, o "Carta Maior" registrou apenas 9,7 milhões de páginas vistas em 2012, contra 311 milhões da Folha e 3 bilhões da Abril.
O site "Conversa Afiada", do jornalista Paulo Henrique Amorim, recebeu R$ 628 mil do governo em 2012, mais do que a Abril.com. Segundo o Ibope, o site teve 48 milhões de páginas vistas em 2012.
Na sua medição, o Ibope considera dados residenciais e de escritórios e exclui acessos em locais públicos.
Na entrevista para "Viomundo", Helena Chagas respondeu às críticas de setores da esquerda de que estaria privilegiando a "mídia tradicional" em detrimento de blogs e sites "progressistas".
"Não é verdade. Os blogs/sites progressistas não pararam de receber recursos. O que há é que alguns querem mais, assim como praticamente todo os 9 mil veículos de nosso cadastro", afirmou.
"Muitas vezes o dinheiro é o mesmo para distribuir para todo mundo. Então a gente tem dificuldade às vezes de grana. [...] Todo mundo está querendo e está achando que está com pouco", relatou.
Anteontem, ela se reuniu com representantes de sites autointitulados "progressistas" na Comissão de Cultura da Câmara, na qual discutiu os critérios de distribuição das verbas publicitárias do governo. Setores do PT querem que o Planalto direcione verbas a sites e blogs que são simpáticos ao governo.
A ministra disse à Folha ontem que não usou a expressão "progressistas", mas apenas "reproduz a denominação usada pela repórter na pergunta". Helena disse que "não faz qualquer tipo de avaliação ideológica sobre os veículos que são programados para receber publicidade".
Sobre o critério de distribuição do dinheiro, a ministra afirmou que a audiência é o principal item, mas também "pode ser influenciada pelas especificidades de cada órgão", citando como exemplos campanhas pela saúde da mulher e crédito imobiliário em sites segmentados. Fonte :Folha de S.Paulo

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