Inscrições começam nesta segunda-feira
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta quarta-feira (8) que as inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio deste ano, o Enem 2013, começam nesta segunda-feira (13). As provas serão aplicadas nos dias 26 e 27 de outubro. O chefe da pasta também afirmou que serão adotados critérios mais rigorosos na correção de redações. As novas regras, que constarão no edital do Enem 2013, a ser publicado no Diário Oficial de quinta-feira (9), prevêem que candidatos que deliberadamente fugirem do tema proposto receberão nota zero. Seria o caso dos candidatos que inseriram uma receita de Miojo ou trechos do hino do Palmeiras no Enem de 2012, como revelou o GLOBO em março.
Mercadante disse também que aumentará o rigor na atribuição de nota máxima, de 1.000, às redações. O edital dirá que "desvios gramaticais ou de convenções de escrita serão aceitos como excepcionalidade e quando não caracterizem reincidência". No ano passado, o edital tolerava desvios "escassos", o que permitiu que textos com erros crassos da norma culta, como as palavras "trousse" e "rasoavel", recebessem nota 1.000. Em tese, portanto, permanece teoricamente possível que redações com um erro grave recebam nota máxima. Mas, segundo o ministro, os corretores que derem nota máxima terão que justificar o caráter excepcional e isso reforçará a exigência.
— Quando houver uma inserção indevida claramente desconectada e proposital no texto, a nota é zero. Não vamos ter nenhum tipo de tolerância. E igualmente aumentamos a exigência em relação à norma culta, quer dizer, o domínio da língua portuguesa na escrita, que é a competência 5 (na redação), só aceitaremos algum tipo de desvio excepcional e que a banca vai ter que justificar. Então, vai ser muito mais rigoroso para tirar nota máxima e não vamos aceitar qualquer inserção que seja feita deliberadamente fora do tema da redação.
O Ministério da Educação também reduziu de 200 pontos para 100 a diferença tolerada de nota atribuída pelos dois corretores. A partir deste ano, quando a diferença exceder 100 pontos, a redação será levada a um terceiro corretor. No Enem 2012, isso só ocorria quando a discrepância era maior do que 200.
— Aumentamos o rigor — disse Mercadante.
Sobre o risco de haver notas máximas para textos com erros, como foirevelado pelo GLOBO no Enem de 2012, o ministro disse que as mudanças foram definidas justamente para evitar a repetição dos problemas.
— Todas as notas 1.000, os avaliadores terão que justificar com rigor por que estão fazendo. Só será aceito desvio se for excepcional. Portanto, eles vão ter que justificar a excepcionalidade. E antes eram (aceitos) erros escassos, ou seja, mais de um e não tratado como excepcionalidade.
Ele afirmou que desistiu da ideia de submeter todas as redações nota 1.000 à comissões de avaliadores doutores porque isso feriria a isonomia, na medida em que criaria um sistema de avaliação diferente para candidatos inicialmente com nota máxima. Após a publicação da reportagem do GLOBO em março, o ministro anunciou que estava decidido a encaminhar todas as redações nota 1.000 a uma comissão de especialistas no Enem 2013, o que não acontecerá:
— Estaríamos criando condição excepcional. temos que ter o mesmo tratamento para todos os participantes.
A coordenadora de Língua Portuguesa do Colégio São Bento, Ana Paula de Barros Jorge, avaliou que é necessário o MEC colocar mais rigor na correção, mas considera importante que o edital deixe claro até que ponto os erros serão tolerados.
— A gente precisa ter uma noção do que estamos encarando como desvio. O fato de os alunos do ensino médio cometerem deslizes não significa que fizeram um texto ruim. E tanto nas regras do ano passado, quanto nas deste ano me parece que o MEC está deixando claro haver alguma tolerância. O que é realmente importante é deixar claro que tolerância é essa. Cometer um pequeno erro pode ser sim relevado, mas os limites precisam estar bem claros no edital — afirma Ana Paula.
Outro ponto ressaltado por ela, é a que as novas orientações precisam estar alinhadas com os corretores:
— O aluno quer segurança de que o texto será avaliado criteriosamente. Mas, mais importante do que o ajustes no edital, é afinar os critérios estipulados junto aos corretores, que precisam estar bem preparados para evitar problemas como os que foram registrados no ano passado.
Já o professor e coordenador do Pré-Vestibular do Colégio QI, Renato Pellizzari, acha que o anúncio do ministro demonstra que o MEC quer fazer uma correção mais cuidadosa e não mais criteriosa. Para ele, na prática, pouco irá mudar.
— O ministério nao quer mexer nos critérios. Ele quer fazer uma correção mais cuidadosa, mas não mais criteriosa porque nem os critérios atuais conseguem ser respeitados por causa da meta, do tempo. O problema está na quantidade de redações corrigidas no mesmo dia. Era preciso ter mais corretores. Acho que o MEC está dando uma resposta para a sociedade e para os candidatos que, na prática, vai mudar pouco a proposta de correção. A mensagem que se quer passar é de que agora vai correr tudo bem, mas sem aumentar a quantidade de corretores não vai — observa Pellizzari.
Outro ponto criticado por ele é que com a prova realizada em outubro o ministério quer dar mais tempo para a correção, o que encurtará o período de preparação para a prova.
— A prova no final de outubro é para dar mais tempo para a correção, mas estaremos no início do 4º bimestre. Vai ter uma avaliação de um curso que ainda não terminou. A gente tenta resolver um problema criando outro.
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